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Apetece-me um pôr-do-sol,
algo que se esconda
para além de mim,
o cheiro da maresia do mar
que me deixe a pensar
como acabei por ficar assim.

Quero sentir-me leve como dantes,
tão solto,
capaz de me deixar ir ao sabor do vento,
caminhar
pelas dunas e pela areia molhada
sem deixar marcas por apagar
e depois, se puder,
quero voar,
voar para ti,
convidar-te para comigo embarcar
e navegar,
soltar as amarras,
enfrentar as ondas sem temor,
seguir sempre com os olhos no horizonte sem fim,
despreocupado por não ter terra à vista.

Não sei porque tem isto de ser assim,
afinal,
talvez bastasse ser menos complicado,
não tentar saltar o muro
mas apenas contorná-lo.

Há sempre uma saída,
logo uma entrada.

Os anos tornaram-me receoso,
dantes procurava saídas
sem perder tempo para saber se encontraria portas abertas.

E agora, aqui estou,
olho o espelho
e revejo-me como quase sempre fui,
mas,
afinal é só o reflexo que se mantém,
tudo o resto foi alterado
e eu não tinha dado conta.

Será que é tarde para recuperar
aquele que de mim se afastou,
para tentar buscá-lo outra vez,
(sei lá onde se terá escondido!),
e retomar
o caminho do sentido da vida,
a felicidade,
digo eu, romântico incurável?

Será
que ainda posso ambicionar mais um pôr-do-sol
e água fresca a escorrer-me pela face
misturada com lágrimas e risos
de gente muito alegre
que não fica parada
a ver passar os dias mais tristes
enquanto não chega o adeus definitivo?

Quero rir
despreocupado,
correr, saltar, brincar,
quero fugir ao encontro de ti,
por aí
e voar.

(poema de "Pedras Soltas", 2014)

Música e interpretação do músico santomense Tonecas Prazeres, Luís Represas e João Pedro Martins de poema do livro "Pedras Soltas"






       O Tom Waits é um tipo levado da breca. Ele não me conhece de lado nenhum nem tão pouco ouvirá um dia falar de mim, mas aquela voz forte e rouca, soubesse ele, catapulta-me as mais estranhas emoções de tal que nunca em momento algum sou capaz de impedir. Embora essa não seja de longe a minha intenção pois os sentidos enquanto ressoa dentro de mim a voz do Tom Waits transportam-me para uma realidade... que está para além da que nós os mortais comuns temos direito a enfrentar no dia-a-dia do corre-corre de cada um.
       Traz-me a noite de um trago e aquela noite serena e salpicada de milhares e milhares de visíveis pontos marcados no céu traz-me a mais perfeita das luas. A Lua que a juntar ao som da voz do Tom Waits me faz perder os sentidos por sobre as notas magistrais do piano enquanto dividido por entre cigarrilhas e uísques procuro algum discernimento que me impeça de pensar com lucidez sobre a vida lá fora.
       Prefiro assim, quero a noite com tudo a que nela tenho direito, com muito pouco de verdade e na verdade cheia de ilusão, a que me permite sonhar de olhos abertos e mente trancada para o mundo canalha que os homens inventaram lá fora. Tudo seria tão mais simples se só conhecesse noite, Tom Waits, Lua, fumo e álcool.
       E depois há aquela cobra da Gayle que vem até mim, enfeitiçada quase de certeza, e se entrelaça de modo a que nenhum pedaço do meu corpo seja vislumbre e me retém até ao instante em que estou pronto para eclodir.
       Outra noite sonhei com animais rastejantes que me foram vendidos por um asiático, deixou-os no interior de um saco junto aos pés da minha cama. De uma leva cada qual fugiu para o seu lado quando de repente alguém me bateu à porta insistentemente e eu tive que me levantar, embora preocupado com o que fossem pensar, para a abrir.
       E é naquele exacto momento em que normalmente sinto o corpo a iniciar um processo de transformação – que gosto de imaginar ser a abertura da porta que me dará entrada no espaço que ambiciono – que o estúpido do disco chega ao fim e a voz do Tom Waits se silencia deixando-me num estado adiado e ansiando rapidamente a chegada da próxima noite sem nuvens.

João Pedro Martins in "O Mundo da Lua", Antologia de Poesia e Prosa (Lua de Marfim, 2014)






cada dia é uma viagem pela história


talvez Deus queira que nós conheçamos algumas pessoas erradas, Jim, antes de encontrarmos a pessoa certa, para que saibamos, ao encontrá-la, agradecer por essa bênção.



Uma espécie de ignorância,
de auto-decepção podem ser
necessárias à sobrevivência
do poeta.


Quando a porta da felicidade se fecha, outra porta se abre, Jim. Porém, estamos tão presos àquela porta fechada que não somos capazes de ver o novo caminho que se abriu.


Bem, eu conhecia alguém encantador
Ela usava fitas laranjas no cabelo
Era cá uma tripe
Sempre fora
Mas eu amava-a
Mesmo assim.


O melhor amigo é aquele com quem nos sentamos por longas horas sem dizer uma palavra e ao deixá-lo temos a impressão de que foi a melhor conversa que já tivemos, Jim. Ao darmos a alguém todo o nosso amor nunca temos a certeza de que iremos receber esse amor de volta.


 Víamos a chuva da janela
O rádio estava partido
Mas ela sabia conversar, oh sim,
Aprendemos a falar
E assim
passou um ano


 Não se deve amar esperando algo em troca, Jim, tens é que esperar que esse sentimento cresça no coração daquele que amas e se isso não acontecer tens que te sentir feliz por esse sentimento estar a crescer dentro de ti.


Ter acabado de chegar e perguntar
se o mundo é real está
morto por ver a forma de que ela
é feita.  Que loucura
errante aos poucos criámos?


Numa questão de segundos apaixonamo-nos por alguém, Jim, mas no entanto levamos uma vida inteira para esquecer alguém especial.


 Claro que ninguém queria dizer isso
mas de certeza alguém começou
Onde está ele?
Onde está ele ou isso quando
precisamos dela?
                Onde estás tu?
                numa flor?
                Ter nascido
                               para a beleza & ver a tristeza
                O que é esta frágil doença?


 Não procures boas aparências, elas podem mudar, Jim. Só precisamos de um sorriso para transformar um dia mau. Existem momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que aquilo que mais queremos é arrancar essa pessoa dos nossos sonhos e abraçá-la.


Adoro ouvir-te rapaz sem destino
garanhão missionário.


 Sonha com aquilo que quiseres, Jim, vai para onde quiseres ir, sê o que quiseres ser, porque na verdade possuis apenas uma vida e nela, Jim, só temos uma chance para fazer aquilo que queremos.
(excerto de A CELEBRAÇÃO DO REI LAGARTO, 2013)


Lançamento de "A Celebração do Rei Lagarto", com Luís Filipe Barros
e António Manuel Ribeiro, em Lizboa Café, 2013










       De repente, lágrimas rebeldes rolavam-lhe pelo rosto abaixo, ao ponto de lhe ofuscarem a visibilidade, impedindo-o de concluir a leitura. A corajosa confissão do estado de saúde da amiga estava ali para quem a quisesse ler. Impotente, continuou a olhar para aquele rosto que parecia fitá-lo, sem o ver. Sem se conseguir conter chorou lágrimas de dor, de culpa e de remorso.

       Não sabe bem quanto tempo esteve sentado a olhar perdido para o ecrã do computador, mesmo depois da imagem ter sido substituída pelo logótipo da empresa, sem que desse conta do que sucedia à sua volta. Aquela verdade, nua e crua, atingira-o cruelmente. Divagou em pensamentos, recriminou-se pela imprudência com que tinha vivido durante anos. A realidade estava ali bem patente, aquela terrível doença, aquele vírus afectara-o. A amiga estava infectada e a ser consumida. Bárbara, a sua Bárbara, com quem privara vezes sem conta e sem nunca terem usado preservativo. Fui eu que a infectei com a irresponsabilidade com que vivi iludido com a estúpida ideia de que era inatingível, recriminou-se em pensamentos. Absorto, levantou-se, e fazendo um esforço para se recompor, pegou de novo no telefone e ligou para a sua assistente pedindo para cancelar todos os compromissos que tinha para os próximos dias. Sem lhe dar sequer tempo de resposta desligou e decidido encaminhou-se para a porta lateral, que raramente utilizava. Já dentro do elevador premiu o botão que o levou à cave onde o carro estava estacionado. Tinha acabado de tomar uma decisão inabalável e nada no mundo o demoveria do que tinha decidido. Era chegada a hora de assumir as responsabilidades pelos erros cometidos.

       Acelerou e passou pelo atónito porteiro que, por sinal, estava fora do seu posto de serviço. Não tinha havido tempo sequer de o avisar da intempestiva saída do patrão. Fazendo chiar os pneus, o carro dobrou a esquina e tomou um rumo diferente do habitual.



(excerto de AMOR, MEU GRANDE AMOR, 2012)

Lançamento de "Amor Meu Grande Amor", com Patrícia Matos
e Teresa Silva em Palácio Galveias, Lisboa, 2012


  





       Era uma sexta-feira e fomos comprar umas ganzas para curtir aquela noite. No entanto, por mais que procurássemos, naquele dia não havia nada, apenas se encontrava cavalo. A heroína metia-me imenso respeito, eu conhecia todos os agarrados lá da zona, sabia bem como era a vida deles e por isso não queria o mesmo para mim. No entanto, uma vez que não havia chamon, o Zé ‘Bate Mamas’ colocou a hipótese de fumar uma chinesa para não ficarmos caretas a noite toda. A minha primeira reacção foi de rejeitar a ideia, mas a insistência dele foi maior. Afinal, fiquei a saber que, dos dois, eu era aquele que ainda não tinha experimentado e sendo assim, após alguma reflexão, lá concordei em experimentar a título excepcional, pois que seria só aquela vez. A primeira diferença que notei foi na questão monetária. Com quinhentos escudos comprava meio conto de chamon que me dava para mais de um dia, enquanto que para o cavalo eram necessários pelo menos mil escudos para comprar um pacote (um décimo de grama). Mas, pronto, um dia não são dias e lá fizemos uma vaquinha para comprar um pacote que fumámos na prata (chinesa). O meu receio era enorme, tinha ouvido imensas histórias de malta que não se dava bem com a primeira experiência e ia ao gregório. Para além disso, afinal, estava a experimentar uma droga dura, era de esperar um efeito brutal. No entanto, para minha surpresa, nada disso aconteceu. À medida que ia fumando, uma calma, uma paz doce e uma lucidez embriagante foram-se apoderando de mim. Foi paixão à “primeira vista” e a partir daí não mais parei. Após a primeira experiência com cavalo, a vontade de fumar ganzas desvaneceu-se, eclipsou-se, deixou de fazer sentido. Os efeitos, a moca, aquilo que lhe quisermos chamar, não têm comparação possível, são coisas díspares, enfim, é o sol e a lua. No dia seguinte, claro, já não quis fumar mais chamon, queria fumar uma chinesa e se no dia anterior eu era o mais resistente à ideia de comprar cavalo, desta vez eu fui o principal impulsionador da ideia. Foi necessário até algum esforço para convencer o Zé, mas consegui. A partir dali, o chamon quase foi banido dos meus hábitos. De vez em quando fumava uma ganza em simultâneo com uma chinesa, mas sempre achei que estava a desperdiçar cavalo. O que eu queria mesmo era sentir aquela sensação de que não havia problema no mundo que me atingisse, que estava tudo bem, amanhã tudo estaria também bem e nada de mal iria acontecer. Até ali, foram várias as vezes que a pressão do Zé ‘Bate Mamas’ e de outros companheiros com quem me dava me levou a fazer isto ou aquilo, mas neste momento da minha história isso não aconteceu. A insistência do Zé teve peso no momento de decidir se experimentava ou não, mas a partir daí fui eu que, de tanto ter apreciado o efeito da heroína, quis continuar. Era como se estivesse apaixonado. Não fiquei dependente de nada apenas por ter experimentado, nada disso. Ninguém fica dependente com uma chinesa. Apenas gostei e por isso continuei. Durante algum tempo o meu consumo foi sempre social, ou seja, não o fazia sozinho, pois um pacote era suficiente para pôr uma prata a rodar por dois ou três amigos e assim lá ia eu entrando num vício que, apesar de estar consciente que me podia destruir, eu acreditava poder controlar. Não sei se realmente acreditava nisso mas era o que eu repetia de cada vez que fumava – “quando me apetecer eu paro”. Desta fase em diante é mais difícil precisar datas, pois muita coisa não está clara na minha memória, mas sei que me lembro de muitas coisas. E assim se foram sucedendo os dias, semanas, meses, enfim, assim se foi passando o tempo. Sem me aperceber muito bem, o consumo foi gradualmente aumentando. Sem dar por isso fui entrando numa rotina diária cujo único objectivo a atingir era o momento de fumar mais uma chinesa. Daí para a frente, aos poucos, dei por mim a viver para a heroína. De repente, passei a acordar a pensar na heroína e deitava-me a pensar na heroína. E o dinheiro rapidamente foi desaparecendo, o apetite também desapareceu, perdi cerca de quinze quilos em poucos meses e todos os outros interesses passaram para segundo plano, nada era mais importante do que satisfazer a vontade insaciável de consumir.
(excerto de A PROMESSA, 2010) 
Lançamento de "A Promessa", com Daniel Belo,
em El Corte Inglês, Lisboa, 2010 







       O tempo é mestre e a vida uma contínua aprendizagem, mas aqui nem o tempo importa, nem sequer existe vida – dizia-me o velho sábio quando nos encontrámos. – O problema é que poucos são os que se dão conta disso antes do fim do tempo de vida. Como tu não deste. Tinhas tanto medo, quiseste tanto tantas coisas que isso até se tornou assustador. Tu e os outros, ninguém consegue realmente encontrar o ponto de equilíbrio, é verdade que o que sentem uns pelos outros às vezes é pura luz, mas outras vezes o sentimento não é tão nobre assim. Tentam transformar as emoções, o amor, os sentimentos de pura beleza, a luz, em escuridão, em formas de egoísmo e posse. Travam lutas internas nas profundezas do vosso ser, são superados pelo próprio ego, deixam-se dominar. Uma noite acordam assustados, arrependem-se depois, não percebem bem o que se está a passar. No fundo não se escutam uns aos outros. Tu, por exemplo, tinhas uma metade de ti que era só luz, a metade que mostravas, mas a outra metade era sombra povoada de tenebrosos fantasmas, a metade que sempre se esconde dos outros, a metade de cada um que ninguém conhece, mas a escuridão está lá e não existem candeias para alumiar, por isso após o susto tentam rapidamente ultrapassá-lo dizendo sem mesmo acreditar que não vale a pena ter medo porque os fantasmas não existem. Também tu preferias acreditar que os fantasmas eram criados por ti. Era mais fácil, o caminho mais seguro e ganhavas tempo.

       – Não chove nunca durante a claridade? – perguntei eu antes de virar as costas.

       - Como queres que chova se tu não acreditas nisso – respondeu-me. – Já reparaste como estes campos à tua volta são verdes?

       Olhei em redor e de facto observei os campos mais verdes que alguma vez tinha visto.

       Fiz nova pergunta:

       – Quer dizer que os campos só estão assim porque eu acredito que é assim que eles têm que ser, belos?

       Procurei-o com o olhar mas já não o vi naquele momento. Queria apenas dizer-lhe que tinha percebido.
(excerto de SEGREDOS, 2009)


Apresentação de "Segredos" com Mário Contumélias
e Sofia Nicholson, na FNAC do Vasco da Gama (Lisboa), em 2009


Música e interpretação do brasileiro Marcelo Miranda de poema incluído no livro "Pedras Soltas", apresentada pela primeira vez ao vivo em Abril de 2009, durante o lançamento do livro "Segredos", na FNAC do C.C.Vasco da Gama, em Lisboa





 




                À medida que aquele passeio ia decorrendo, tendo em Solange uma óptima cicerone, Jorge Romão ia fazendo reparos e comentários ao que ia vendo. Verificou, por exemplo, que a guerra civil, após a independência, não destruiu a cidade de Maputo mas condenou-a por mais de vinte anos ao abandono e ao afluxo de milhares de refugiados. Reparou no inegável sobrepovoamento existente e que a população em grande parte desempregada não tem por ali as melhores condições de vida. Mas também teve a oportunidade de verificar com os seus olhos que alguma coisa parece ter sido feita nos tempos mais recentes em termos de desenvolvimento. Nesse sentido, Solange apontou-lhe vários edifícios que antes estavam profundamente degradados e que estão a ser alvo de restauro.
                Já perto do pôr-do-sol e antes de terminar a volta pela cidade, pararam à entrada do Bazar, o nome por que é conhecido o Mercado Central, na zona da baixa, onde se acotovelavam, mais uma vez, dezenas de miúdos à espera de automóveis para ajudar a arrumar e vigiar na esperança, acima de tudo, de ganhar com isso alguns meticais.
                Lá dentro, Jorge ficou deslumbrado e, pela primeira vez, ocorreu-lhe que já muitas vezes tinha ouvido falar do “cheiro de África” sem perceber muito bem o que aquilo poderia significar. Pois, naquele momento, inspirou profundamente e teve a sensação de que estava a sentir esse cheiro místico. A profusão de cheiros e cores do peixe, da fruta, dos legumes e especiarias inundaram, por instantes, todos os seus sentidos. As vendedeiras, vestidas com capulanas, emprestavam cor às bancadas e, à sua aproximação, falavam-lhe de vegetais que desconhecia e de plantas que curam tudo. «Até o cancro», garantem. E da felicidade que seria viver em Lisboa «onde a vida é muito melhor». Jorge sentia-se extasiado. Enfeitiçado. Como nunca antes se tinha sentido na vida.
(excerto de CÉU NEGRO, 2008)




Apresentação de "Céu Negro", com José Eduardo Agualusa,

na FNAC do NorteShopping, Matosinhos (Porto), em 2008





 




       Quero dar-te uma história. No fim fazes o que quiseres. Podes revelá-la ou não, que é lá contigo, mas desde já te garanto que, embora seja verdade tudo o que te vou contar, não será fácil fazeres com que as pessoas acreditem...


       Quase sem respirar, acendi outro cigarro e enchi novamente o copo com uísque. Tentava ainda ordenar as ideias quando voltei a escutar aquela voz, ligeiramente enrouquecida, ao mesmo tempo firme, segura e sem hesitações.

       - Queres ouvir a história?

       - Claro – respondi.

       Ali ao lado, aquele homem, que para mim ainda não tinha nome, desviou os olhos dos meus, fixou-os em qualquer coisa indefinida e depois de, em cima do balcão, unir as mãos com os dedos cruzados foi dizendo:

        - As pessoas criam as suas próprias verdades e, mesmo que não tenham a certeza de coisa alguma, a maior parte das vezes não querem saber o que é mesmo verdade e, nada, nem mesmo a dúvida, as faz mudar de opinião. Sabes, há coisas que sabemos e há coisas desconhecidas e, entre elas, existem as portas. Mas a maioria não está preparada para abri-las.
(excerto de AS PORTAS OU A MORTE DE UM MITO, 2003)

Música candidata ao Festival RTP da Canção em 2010, interpretada pela luso-moçambicana Natércia Pintor, de poema que viria a ser incluído no livro "Pedras Soltas"